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Dilma aumenta vantagem sobre potenciais adversários em 2014

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, ambos do PT, são os nomes preferidos pelos brasileiros para a disputa da Presidência da República em 2014.

Eles lideram em todos os cenários consultados pelo Datafolha, com Lula obtendo maior vantagem do que a atual presidente em relação aos adversários.

Nas simulações em que é possível a comparação com pesquisa realizada no início de outubro, também se verifica o aumento da vantagem de Dilma para seus possíveis oponentes na disputa.

No cenário em que se enfrentam Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a petista tem 47% das intenções de voto, o senador mineiro tem 19%, e o governador de Pernambuco, 11%. Votariam em branco ou nulo, neste caso, 16%, e 7% não souberam responder.

Na comparação com pesquisa do início de outubro, Dilma subiu (tinha 42%), Aécio oscilou para baixo (tinha 21%), e Campos caiu (tinha 15%). A petista tem seus índices acima da média de intenção de voto entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental (54%), entre os mais pobres (53%), nas regiões Nordeste (61%), no Norte/Centro-Oeste (53%) e nos municípios com até 50 mil habitantes (55%).

Já Aécio ganha força entre os que possuem ensino superior (24%), entre os mais velhos (24%), no Sudeste (25%) e entre os mais ricos (24% entre os que têm renda mensal de 5 a 10 salários mínimos, e 31% entre os que ganham acima de 10 mínimos, neste caso em situação de empate com Dilma, que tem 32% no segmento). Campos também tem preferência acima da média entre os mais ricos (16%) e no Nordeste (15%).

Quando Marina substitui Campos como nome do PSB, a atual presidente tem a preferência de 42%, e em seguida aparecem Marina (26%) e Aécio (15%). A fatia de votos em branco ou nulo neste cenário recua para 11%, e 5% não souberam responder. Em relação a outubro, Dilma teve alta (tinha 39%), a ex-senadora do PSB caiu (tinha 29%) e Aécio oscilou para baixo (tinha 17%).

Contra José Serra como candidato do PSDB e Campos encabeçando a chapa pelo PSB, Dilma tem 45%, o ex-governador de São Paulo fica com 22%, e o governador de Pernambuco soma 11%. Indicações de voto em branco ou nulo neste cenário alcançam 15%, e 7% não opinaram. Dilma também avança neste quadro (tinha 40% no início de outubro), enquanto Serra e Campos recuam (tinham 25% e 15%, respectivamente).

Tendo Serra e Marina na disputa, a atual presidente fica com 41% das intenções de voto, ante 24% de Marina e 19% de Serra. Votariam em branco o nulo 10%, e 5% não souberam opinar. No início de outubro, considerando os mesmos nomes na disputa, Dilma aparecia com 37%, Marina tinha 28%, e Serra, 20%.

O Datafolha também simulou um cenário com o atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, tendo como oponentes Dilma, Aécio e Campos. Novamente a atual presidente lidera (44%), e é seguida por Barbosa (15%), Aécio (14%), e Campos (9%). As intenções de voto em branco ou nulo somam 13%, e 6% não souberam responder.

Nos cenários em que Lula substitui Dilma como nome do PT na disputa presidencial, o ex-presidente lidera com vantagem ainda maior que a obtida pela atual presidente, mantendo-se sempre acima dos 50% de preferência. Contra Aécio e Campos, o petista tem 56% das intenções de voto, ante 16% de Aécio, 8% de Campos. Votariam em branco ou nulo 14%, e 6% não souberam opinar.

Com Serra como candidato do PSDB e Campos mantido como nome do PSB, Lula repete os 56% de preferência, e em seguida aparecem o tucano (16%) e Campos (9%). Brancos e nulos somam 13%, e 6% não souberam opinar.

Ao enfrentar Marina e Aécio, Lula tem 52% das indicações de voto, Marina fica com 20%, e Aécio obtém 13%. Votariam em branco ou nulo se estes fossem os candidatos 9%, e 5% não responderam.

Quando Serra substitui Aécio e Marina é mantida como candidata do PSB, o quadro é similar ao anterior: Lula fica com 52%, ante 20% de Marina e 14% de Serra. Brancos e nulos somam 9%, e 6% não opinaram.

Maioria dos brasileiros querem mudanças para o próximo ciclo presidencial

Apesar do favoritismo dos pré-candidatos do PT neste momento, dois em cada três brasileiros (66%) preferem que as ações do próximo presidente sejam, de modo geral, diferentes das ações tomadas por Dilma Rousseff.

Outros 28% querem que as ações sejam iguais, e 6% não souberam opinar sobre o assunto.

Há um desejo de mudança acima da média entre os mais jovens (73% querem ações diferentes das atuais); entre os mais ricos (76% entre aqueles com renda mensal de 5 a 10 mínimos, e 80% entre os que ganham quantia acima desse valor); entre os mais escolarizados (76%); no Sudeste (72%); e nos municípios mais populosos (69% nos municípios com população entre 200 e 500 mil pessoas, e 73% entre aqueles com mais de 500 mil pessoas).

Entre os que avaliam o governo Dilma como regular, fatia que é similar à dos que aprovam a atual gestão, 80% querem ações diferentes do próximo presidente.

O desejo de continuidade conquista a maioria (53%) somente o governo Dilma ótimo ou bom, e fica acima da média entre na região Nordeste (36%), Norte/Centro-Oeste (37%) e entre os brasileiros adultos com ensino fundamental (35%).

Quase 37 anos depois, exumação no RS tenta esclarecer morte de Jango

Procedimento reúne peritos estrangeiros e da Polícia Federal em São Borja.
Familiares suspeitam de morte por envenenamento durante exílio.

Passados quase 37 anos, peritos afirmam que será possível determinar as causas da morte do ex-presidente João Goulart, o Jango. A exumação dos restos mortais do político deposto no golpe militar de 1964 e morto durante o exílio em 1976 começou pouco antes das 8h desta quarta-feira (13) em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O procedimento não tem hora para acabar, mas deve durar pelo três horas.

Para garantir a segurança, uma operação foi montada na região do cemitério, com policiais militares e agentes da Defesa Civil para qualquer apoio necessário. A rua foi  bloqueada e o acesso é restrito.

Os peritos, quatro brasileiros da Polícia Federal (PF), além de especialistas do Uruguai, da Argentina e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), chegaram por volta das 6h45 para o processo de exumação. O neto João Marcelo também chegou antes das 7h.

Com roupas especiais para o procedimento, os peritos farão o trabalho na área isolada por uma estrutura metálica e por lonas. O ex-presidente foi sepultado no jazigo da família Goulart, onde já foram enterradas nove pessoas, entre elas o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, cunhado de Jango.

Por volta das 8h30, chegaram a ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, e o ministro da Justiça, José Cardozo. O governador Tarso Genro chegou às 9h45, mas não falou com a imprensa.

O objetivo do procedimento é esclarecer se Jango morreu de ataque cardíaco, como consta na documentação oficial, ou se foi assassinado por envenenamento. Nos últimos anos, surgiram evidências de que o ex-presidente pode ter sido mais uma vítima da Operação Condor, a aliança entre as ditaduras do Cone Sul para eliminar opositores além das fronteiras nacionais.

Perito acredita que trabalho trará respostas sobre morte
A retirada dos restos mortais do túmulo não tem hora para acabar. O perito da Polícia Federal que coordena a exumação, Amaury de Souza Júnior, diz que o tempo de trabalho vai depender das condições em que se encontram o caixão e os restos mortais de Jango, mas acredita que a análise pode apresentar resultados, mesmo após tantos anos.

Se não tivéssemos condições de ter alguma resposta, de imediato teríamos abortado a missão. É possível, sim. Basta verificar os casos do Pablo Neruda (poeta chileno) e do Yasser Arafat (líder palestino). Vamos trabalhar para obter informações e ver o que significam essas informações. Elas podem ou não ser conclusivas. Em termos tecnológicos, não há problema”, afirmou em entrevista coletiva na terça-feira.

Do cemitério, os restos mortais de Jango serão levados pelo Corpo de Bombeiros até o aeroporto de São Borja. Um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) fará o transporte até a Base Aérea de Santa Maria, na Região Central do estado, de onde será feito o traslado até Brasília.

O corpo de Jango deve chegar por volta das 10h de quinta-feira (14) à capital federal, onde será recebido com honras de chefe de Estado. Segundo a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff vai participar da solenidade. Ex-presidentes como Lula, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney também foram convidados.

Morte ocorreu no exílio na Argentina Jango morreu em 6 de dezembro de 1976 em sua fazenda em Mercedes, na Argentina. Cardiopata, ele teria sofrido um infarto, mas uma autópsia nunca foi realizada. Na última década, novas evidências reforçaram a hipótese de que o ex-presidente teria sido envenenado por agentes ligados à repressão uruguaia e argentina, a mando do governo brasileiro.

A principal delas foi o depoimento dado pelo ex-espião uruguaio Mario Neira Barreiro ao filho de
Jango João Vicente Goulart, em 2006. Preso por crimes comuns, ele cumpria pena em uma penitenciária de Charqueadas, no Rio Grande do Sul, quando disse que espionava Jango e que teria participado de um complô para trocar os remédios do ex-presidente por uma substância mortal.

O corpo de Jango deve chegar por volta das 10h de quinta-feira (14) à capital federal, onde será recebido com honras de chefe de Estado. Segundo a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff vai participar da solenidade. Ex-presidentes como Lula, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney também foram convidados.


‘Espionagem entre amigos, isso não se faz’, diz Merkel a respeito dos EUA

Governo alemão acusou EUA de possível ‘grampo’ a celular da chanceler.
Obama, em conversa com ela, negou as acusações.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, nesta quinta-feira (24) em Bruxelas, na Bélgica

A chanceler alemã Angela Merkel, que teve seu celular possivelmente grampeado pela Agência Nacional de Segurança americana (NSA), afirmou nesta quinta-feira (24), ao chegar à cúpula de chefes de Estado e de Governo em Bruxelas, na Bélgica, que “amigo não espiona amigo”.

“Espionagem entre amigos, isso não se faz”, disse Merkel.
Ela disse ter transmitido esta mensagem ao persidente Barack Obama, a quem pediu explicações.
Merkel vai se reunir com o presidente francês, François Hollande, para tratar da questão da espionagem dos Estados Unidos.
Merkel vai se reunir com o presidente francês, François Hollande, para tratar da questão da espionagem dos Estados Unidos.
“Os fatos são os fatos. Não podemos aceitar, seja de quem for, uma espionagem sistemática. São necessárias medidas e não se pode imaginar isso a nível de um único país, são necessárias medidas europeias (…) para que cesse esta atitude”, disse o primeiro-ministro belga, Elio Di Rupo, que teve casos de espionagem também registrados em seu país.

Consórcio formado por Petrobras e mais 4 empresas vence leilão de Libra

Grupo também é composto por Shell, Total, CNPC e CNOOC.
Consórcio repassará à União 41,65% do óleo extraído do campo do pré-sal.

O consórcio formado pelas empresas Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC arrematou nesta segunda-feira (21) o campo de Libra e foi o vencedor do primeiro leilão do pré-sal sob o regime de partilha – em que parte do petróleo extraído fica com a União.

Único a apresentar proposta, contrariando previsões do governo, o consórcio ofereceu repassar à União 41,65% do excedente em óleo extraído do campo – percentual mínimo fixado pelo governo no edital.

Nesse leilão, vencia quem oferecesse ao governo a maior fatia de óleo – o regime se chama partilha porque as empresas repartem a produção com a União.

O consórcio vencedor também terá que pagar à União um bônus de assinatura do contrato de concessão no valor de R$ 15 bilhões. Segundo a Agência Nacional do Petróleo(ANP), esse valor deve ser pago de uma vez. O pagamento tem que estar depositado para que o contrato seja assinado – o que a Magda Chambriard, diretora geral da agência, previu que aconteça em cerca de 30 dias.

A Petrobras terá a maior participação no consórcio vencedor, de 40%. Isso porque, embora a proposta aponte uma fatia de 10% para a estatal, a empresa tem direito, pelas regras do edital, a outros 30%. A francesa Total e a Shell terão, cada uma, 20%. Já as chinesas CNPC e CNOOC terão 10% cada.

‘Sucesso’
Apesar da proposta única, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, adotaram um discurso otimista nas respostas aos jornalistas que os questionaram sobre o resultado do leilão, diferente da previsão do governo.

“O que aconteceu foi um sucesso absoluto, onde Libra vai ter resultado da ordem de trilhão de reais ao longo de 35 anos [para o governo]. Ninguém pode ficar triste com isso”, disse Chambriard. “Houve competição e o resultado não poderia ter sido melhor”.

“Não houve nenhuma frustração, na medida que temos um bônus de assinatura que é considerável [R$ 15 bilhões, que será pago pelas vencedoras, inclusive a Petrobras] e o mínimo de 41,65% de excedente de óleo. Portanto, nenhuma frustração”, disse Lobão.

A diretora-geral da ANP apontou que as empresas que formam o consórcio estão entre as maiores do setor de energia no mundo. Ela disse ainda que, somados os ganhos com o bônus de assinatura, a partilha do óleo, o retorno da participação na Petrobras e o pagamento de royalties pelas concessionárias, entre outros, a União deve ficar com o equivalente a cerca de 80% do óleo extraído de Libra.

Sobre a desistência de grandes petroleiras do leilão, Magda disse que a BP procurou a ANP e mostrou interesse em participar da exploração do campo de Libra, mas a empresa ficou com receio devido aos prejuízos que teve com o desastre ambiental no Golfo do México.

A previsão inicial da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP) era que até 40 empresas poderiam participar do leilão de Libra – gigantes do setor como as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron e as britânicas BP e BG nem chegaram a se inscrever.
No dia 10 de outubro, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que esperava entre dois e quatro consórcios na disputa, envolvendo as 11 empresas habilitadas.

Total e Shell surpreenderam
Analistas ouvidos pelo G1 afirmam que a entrada das empresas Total e Shell no consórcio vencedor surpreendeu. Isso porque o regime de partilha é visto por eles como desvantajoso para as empresas participantes.

“Já era esperado que teria só um consórcio e que a Petrobras entraria. Eu acho que a única surpresa é a Shell e a Total terem entrado, porque num  primeiro momento as pessoas achavam que elas não entrariam”, disse o ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn.

“É um modelo que nunca vai permitir competição. O fato de ter sido ofertado o mínimo [de 41,65% do óleo produzido] também não é surpresa, porque o modelo não ocorre a competição e vai dar sempre o mínimo desse jeito”.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, também disse, em entrevista à Globonews, ter ficado surpreso com a entrada das duas empresas no consórcio. Ele também avaliou que o fato de ter apenas uma proposta é ruim para o Brasil.

“Era esperado o passe mínimo. Quando não tem concorrente, você dá uma oferta mínima, porque teria a certeza que não haveria concorrente, o que é ruim para o país. Se tivesse concorrente, teria um excedente para a união maior do que 41,65%”.

O campo de Libra
A exploração do campo de Libra, leiloado nesta segunda-feira, deve dobrar as reservas nacionais de petróleo, de acordo com a ANP. A agência estima que o volume de óleo recuperável na exploração de Libra seja de 8 bilhões a 12 bilhões de barris – as reservas nacionais são hoje de 15,3 bilhões de barris.

As reservas de gás somam atualmente 459,3 bilhões de metros cúbicos e também devem duplicar com Libra.

O campo de Libra fica na chamada Bacia de Santos, a cerca de 170 quilômetros do litoral do estado do Rio de Janeiro. A sua área é de cerca de 1.500 quilômetros quadrados. De acordo com o governo, é a maior área para exploração de petróleo do mundo.

A estimativa é que Libra chegue a produzir 1,4 milhão de barris por dia, quase cinco vezes a produção do campo de Marlim Sul, que hoje ocupa a liderança no Brasil com 284 mil barris diários. Segundo a ANP, o maior campo do mundo, de Ghawar Field, na Arábia Saudita, tem de 75 bilhões a 83 bilhões de barris recuperáveis e produção média diária de 5 milhões de barris.

O óleo presente no campo de Libra é do tipo leve, que tem maior valor de mercado.
A ANP estima que, entre 2013 e 2016, sejam investidos cerca de R$ 400 bilhões no setor de petróleo e gás no país – boa parte desse valor vai ser demandada pela exploração de Libra, com a compra de bens e serviços.

Segundo especialistas, o início da produção pode levar de 5 a 10 anos, a depender da geologia do local e dos investimentos feitos pela empresa vencedora. O pico da produção pode levar 15 anos para ser atingido.

As empresas
Sobre o modelo de partilha, o presidente da Shell do Brasil, André Araujo, disse que já conhece as condições do contrato há bastante tempo e não é uma surpresa que vem hoje para eles. “Com a experiência que nós temos em exploração de águas profundas a gente via poder contribuir com esse consórcio e a gente sabe que é do interesse de todo mundo que faz parte desee consórcio que ele seja bem sucedido”.

Ele não quis comentar a estratégia do consórcio.” Eu estou muito satisfeito porque ele se compõe da empresa líder em exploração em águas profundas. Estamos satisfeitos porque a Petrobras teve 10% e mostra o interessa da Petrobras dentro do projeto. Nós temos outras companhias que têm experiência internacional em exploração de águas profundas e isso faz com que o consórcio tenha um bom desenho”.

Protestos
O leilão, realizado no hotel Windsor, no Rio de Janeiro, foi marcado ainda pelos protestos do lado de fora e que deixaram pelo menos cinco pessoas feridas. Para conter os manifestantes, homens da Força Nacional de Segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não houve deslizes na atuação das forças de segurança. “Foi tudo muito bem feito. Eu acho que mostrou um padrão de excelência na segurança do evento tão importante na história do país.”

O ministro disse ainda que não tem informação de uma situação que tenha ultrapassado as regras e os padrōes. “A Força Nacional atuou na praia quando houve necessidade. Os manifestantes não passaram sequer da primeira barreira de contenção.”

Incra-MA recebe autorização para criar assentamento em parte da Fazenda Cipó Cortado

A Superintendência Regional do Incra no Maranhão recebeu a autorização necessária para iniciar a criação de um projeto de assentamento para atender 118 famílias que ocupam parte da Fazenda Cipó Cortado. A decisão foi tomada na última quinta-feira(5) pelo Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, que resolveu desafetar para a regularização fundiária do Incra 2.778 hectares de terras públicas federais, da Fazenda Cipó Cortado, localizada na Gleba Boca da Mata Barreirão, no município de João Lisboa (MA).

O superintendente Regional do Incra-MA, José Inácio Rodrigues, explica que essa decisão vai resolver grande parte do conflito agrário emblemático existente nesse local. “Esse imóvel seria destinado para regularização fundiária realizada pelo Programa Terra Legal. Como os trabalhadores solicitaram ao Incra-MA a área para criar o assentamento, o Ministro decidiu pela desafetação de parte da área, que passa agora a ser destinada à reforma agrária”, disse.

Há quase dez anos trabalhadores rurais sem terra lutam pela criação do assentamento na área da Fazenda Cipó Cortado. As inúmeras ações na justiça impedem a resolução total do litígio.De acordo com o coordenador do Programa Terra Legal no Maranhão, Jowberth Alves, a área total da Fazenda Cipó Cortado é de 7.200 hectares. Para iniciar a criação do assentamento e solucionar o conflito foi necessário excluir os 2.778 hectares que não estavam sub judice.

“Na área que está sendo objeto de ação judicial, a decisão cabe à justiça. Como a outra parte não estava judicializada, então retiramos ela do processo de regularização e vamos passar para o Incra criar o assentamento e resolver o problema dos trabalhadores rurais”, disse Jowberth.

Resolução

A coordenadora Regional do MST, Gilvânia Ferreira da Silva, disse que essa decisão só resolve parte do problema. “Mesmo sem resolver todo o conflito, consideramos metade da nossa luta ganha, afinal essa área é justamente onde as famílias estão acampadas e os despejos serão evitados. Mas, continuaremos lutando pelo restante da área da Fazenda para assentar as outras famílias”, explicou.

José Inácio informa que com a autorização de criação do assentamento na região, o Incra-MA iniciará, em 23 de setembro, o cadastramento das famílias no Sistema de Informações de Programas da Reforma Agrária (Sipra). As famílias assentadas serão incluídas este ano no Programa Minha Casa, Minha Vida Rural. A previsão é de que todas as famílias cadastradas acessem os demais créditos oriundos da reforma agrária a partir de 2014.